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Araraquara, São Paulo, Brazil
Graduado em Fisioterapia pela Universidade Paulista. Pós Graduação em Fisioterapia Ortopédica e Desportiva pela Universidade da Cidade de São Paulo. Coordenador do Grupo de Estudos em Postura de Araraquara. –GEP Membro da Associação Brasileira de Fisioterapia Manipulativa- ABRAFIM Membro da Associação Brasileira de Pesquisa em Podoposturologia –ABPQ PODO Formação em RPG, SGA, Pilates, Podoposturologia (Palmilhas para correção de postura), Quiropraxia, Osteopatia Clínica, Treinamento e Reabilitação Funcional, Kinesyo Tape , Wii Reabilitação; Acupuntura Dry Needling.,Mobilização Neurodinâmica Formação no Método Glide de Terapia Manual. Atualização nas Disfunções de Ombro, Quadril , Joelho e Coluna. CONSULTAS PELO TELEFONE 16 3472-2592

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sexta-feira, 12 de junho de 2009

Artroscopia de quadril indicações e técnica

Artroscopia do quadril: indicações e técnica
LAFAYETTE AZEVEDO LAGE1, ROBERTO CAVALIERI COSTA2
em cadáveres. A artroscopia do quadril permaneceu no esquecimento
até os anos 80, talvez pelas dificuldades técnicas encontradas.
Gross(4), em 1977, relata alívio dos sintomas em
pacientes portadores de necrose asséptica da cabeça do fêmur
após irrigação por via artroscópica. Shifrin & Reis(7), em 1978,
publicaram trabalho relatando o uso do artroscópio para
empurrar um fragmento de cimento acrílico que se encontrava
interposto entre o componente acetabular e o componente
femoral, com sucesso, tornando a prótese total do quadril do
paciente estável novamente sem a necessidade de uma
artrotomia de maior porte. Em 1980, Holgersson & col.(6)
examinaram quadris de pacientes jovens com artrite reumatóide
juvenil, declarando que obtiveram muito mais informações
sobre o aspecto das cartilagens do acetábulo e da cabeça do
fêmur pela artroscopia do que por via aberta, preconizando a
utilização do artroscópio no quadril precocemente para o
estadiamento das afecções inflamatórias. Dessa forma, a artroscopia
é método excelente para realizar uma biópsia dirigida,
auxiliando no planejamento terapêutico, fornecendo também
imagens coloridas e tridimensionais da articulação
coxofemoral. A artroscopia do quadril pode minimizar a dor,
pela diminuição da hiperpressão intra-articular existente nos
processos inflamatórios de origem reumatológica e infecciosa.
Inúmeras publicações sobre o assunto surgiram após 1980;
porém, na maioria, relatam experiências pequenas. Os países
com maior experiência são Inglaterra, Japão, Estados Unidos,
França e Alemanha.
Em 1993, o autor realizou estágio, em Cambridge, com o
professor Richard Villar, a maior autoridade mundial no assunto,
contando com mais de 500 pacientes operados.
MATERIAL E MÉTODO
Trinta e três pacientes com idade variando entre cinco e 77
anos foram operados pelo autor. Recomendamos o uso da
anestesia geral, devido à desconfortável posição do paciente
durante a cirurgia, embora as anestesias raquidiana e peridural
também possam ser utilizadas. São necessários equipamentos
óptico e cirúrgico especiais para quadril, os quais diferem
1. Mestre em Ortopedia pela FMUSP.
2. Chefe do Grupo de Quadril Adulto do IOT-HCFMUSP.
RESUMO
A artroscopia do quadril é procedimento pouco invasivo,
permitindo alta hospitalar precocemente e curto período
de reabilitação. Os autores recomendam o uso da artroscopia
do quadril no diagnóstico do quadril doloroso
quando investigações não invasivas forem inconclusivas;
para diagnóstico e tratamento da artrite séptica e lesões
do lábio acetabular; para remoção de corpos livres intraarticulares;
e desbridamento da osteoartrose leve ou moderada
de pacientes relativamente jovens.
Unitermos – Artroscopia do quadril; lesão do lábio acetabular
(labrum); distrator de quadril
SUMMARY
Hip arthroscopy: indications and technique
Hip arthroscopy is a minimally invasive procedure, which
allows early discharge from hospital and short rehabilitation
time. The authors recommend the use of hip arthroscopy
in the diagnosis of hip pain in which non-invasive investigations
have failed, for the diagnosis and treatment of septic
arthritis and torn acetabular labrum, and for the removal of
loose bodies and the debridement of mild to moderate osteoarthritis
in young patients.
Key words – Hip arthroscopy; torn acetabular labrum; hip distractor
INTRODUÇÃO
O tratamento de patologias de joelho, tornozelo, ombro,
cotovelo e punho por via artroscópica pode já ser familiar para
muitos. Entretanto, o uso do artroscópio para examinar e tratar
certas doenças do quadril é um novo conceito para muitos
profissionais da área de saúde.
Embora considerada uma idéia moderna, a artroscopia do
quadril foi realizada pela primeira vez em 1931 por Burman(1)
L.A. LAGE & R.C. COSTA
556 Rev Bras Ortop _ Vol. 30, Nº 8 – Agosto, 1995
Fig. 1 – Paciente posicionado para artroscopia do quadril direito com
membro inferior direito fixado ao distrator de quadril
Fig. 2 – Agulha de infusão e artroscópio no intensificador de imagens
Fig. 3 – Necrose asséptica de cabeça do fêmur. Artrite reumatóide juvenil.
daquele utilizado na artroscopia de outras articulações, além
de distrator especial para quadril, que, através da combinação
de forças transversais e longitudinais aplicadas no membro
inferior a ser operado, fornece excelente distração do quadril
de até 4cm, uma vez que a força resultante segue exatamente o
sentido do colo do fêmur.
Técnica cirúrgica
1) Fazemos a tricotomia do quadril a ser operado e lavamos
o mesmo com solução aquosa de polivinilpirrolidona com
1% de iodo ativo, em solução a 10%, e lauril éter sulfato de
sódio a 25%.
2) Posicionamos o paciente em decúbito lateral em mesa
cirúrgica comum, com o membro inferior a ser operado preso
ao distrator de quadril a 30 graus de abdução (figura 1).
3) Posicionamos o intensificador de imagens. O cirurgião
e toda a equipe presente na sala de cirurgia devem estar apropriadamente
paramentados com aventais de chumbo. O cirurgião
deverá também proteger sua tiróide com colar chumbado.
4) Colocamos os campos operatórios, deixando um espaço
retangular na região onde serão feitos os portais. Sobre esse
espaço, é colocado um campo adesivo plástico impermeável.
5) Introduzimos agulha calibre 22 aproximadamente acima
da porção médio-superior do grande trocanter.
6) Sob visibilização do intensificador de imagens, a agulha
atinge a articulação. Estando a agulha dentro da articulação,
coletamos líquido sinovial para análise.
7) Desconectamos a seringa, deixando a agulha imóvel, e
visibilizamos pelo intensificador de imagens se ocorre entrada
de ar, uma vez que o quadril tem pressão negativa em relação à
pressão atmosférica externa.
8) Confirmada a entrada do ar, fazemos tração e injetamos
cerca de 10ml de solução salina na articulação, aumentando o
espaço articular.
9) Uma vez que o espaço articular aumentou cerca de 5mm,
retiramos a agulha 22 e introduzimos a de calibre 14 pelo
mesmo trajeto.
10) Infundimos cerca de 30 a 40ml de solução salina a
0,9%; será esta combinação entre tração e infusão de solução
salina que irá expandir o espaço articular cerca de 3 a 4cm.
11) Introduzimos o fio metálico por dentro da agulha e
retiramos a agulha.
12) Realizamos incisão na pele e tecido celular subcutâneo
de 5mm junto ao fio metálico e colocamos os bastões canulaRev
Bras Ortop _ Vol. 30, Nº 8 – Agosto, 1995 557
ARTROSCOPIA DO QUADRIL: INDICAÇÕES E TÉCNICA
dos em ordem crescente de diâmetro, utilizando o fio metálico
como guia, de forma a permitir a dilatação do trajeto por onde
será introduzida a bainha protetora do artroscópio.
13) Colocamos a bainha protetora do artroscópio dentro
da articulação, retiramos os bastões canulados e o fio metálico.
Finalmente, introduzimos o artroscópio por dentro da
bainha protetora até a articulação (figura 2).
Instalamos a cânula de irrigação junto à bainha protetora
e a câmera ao artroscópio. Conectamos a sonda de asmesmos
passos devem ser realizados para se preparar os portais
adicionais. Através destes portais serão introduzidos os
instrumentos operatórios propriamente ditos, como o probe,
a pinça de biópsia e a lâmina do . É importante lembrar
que a cada 30 minutos deve-se fazer leve distração do quadril,
16) Fazemos curativo oclusivo com gase seca, não haven-
17) Recomenda-se uso de muletas por três dias no período
por 30 dias.
DISCUSSÃO
das em diagnóstica e terapêutica (quadros 1 e 2).
QUADRO 1
Indicações para diagnóstico
Artroscopia diagnóstica:
1) Diagnóstico do quadril doloroso na criança;
2) Dor no quadril a esclarecer após um tratamento conservador sem
sucesso no adulto;
3) Avaliação da artrite crônica juvenil;
4) Avaliação do quadril doloroso após o insucesso do tratamento
conservador;
5) Coleta de material para biópsia;
6) Estadiamento da cartilagem articular para planejamento terapêutico;
7) Isolamento de organismo infeccioso na artrite séptica;
8) Avaliação do quadril osteoartrítico com o objetivo de planejar para
o futuro cirurgia mais invasiva;
9) Avaliação da osteocondrite dissecante da cabeça femoral ou acetábulo,
da necrose asséptica da cabeça femoral e da epifisiolise
femoral proximal durante a fixação in situ;
10) Estudo da fisiopatologia de patologias não bem esclarecidas.
QUADRO 2
Indicações para tratamento
Artroscopia terapêutica:
1) Desbridamento da articulação do quadril para alívio da dor na
osteoartrose;
2) Remoção de corpos livres, corpos estranhos ou cimento ósseo após
artroplastia total do quadril;
3) Sinovectomia e desbridamentos nas artrites e sinovites;
4) Lavagem e desbridamento da artrite séptica;
5) Excisão da lesão de um lábio acetabular roto;
6) Artroplastias total de quadril infectadas sem soltura dos componentes
da prótese;
7) Lesões do ligamento da cabeça do fêmur ou ligamento redondo;
8) Regularização de traços de fraturas intra-articulares da cabeça ou
do acetábulo.
Os pacientes com artrose leve e moderada do quadril são
submetidos ao desbridamento da articulação com lâminas de
shaver especiais para quadril e, nesses casos, o uso de muletas
é mandatório durante seis semanas, a fim de se aguardar a
formação de nova fibrocartilagem sobre as áreas que foram
desbridadas. Nesses casos de artrose, a artroscopia de quadril
possibilita alívio significativo da dor, podendo-se assim
postergar ou até mesmo evitar cirurgia de maior porte, como
uma artroplastia ou uma osteotomia(8).
Dentro da medicina esportiva, a melhor indicação são as
lesões do lábio acetabular (também chamado de labrum) e as
lesões do ligamento redondo. Em nossa pequena casuística,
contamos com quatro lesões do labrum e duas do ligamento
redondo, com excelentes resultados já no período pós-operatório
imediato. O labrum é uma fibrocartilagem triangular
muito semelhante ao menisco do joelho, sendo responsável
por dor, geralmente na região da virilha, em 80% dos casos ou
dor na região glútea ou face lateral da coxa em 20% dos casos,
algumas vezes acompanhada por falseios, travamentos e clicks
na articulação coxofemoral.
As lesões do labrum acetabular não só ocorrem em jovens
como também em pacientes de meia-idade portadores de
quadris displásicos, isto é, com o acetábulo “raso” ou com o
ângulo de inclinação do colo de fêmur aumentado. A lesão do
labrum acetabular é considerada também por Catteral &
Hawkins(5) como responsável pela artrose primária ou idiopática
do quadril, pois a posição invertida, ou seja, entre a cabeça
do fêmur e o acetábulo desta estrutura, causaria uma incongruência
articular, levando a um desgaste precoce desta nobre
articulação de carga.
CONCLUSÃO
A artroscopia do quadril fornece mais informações que a
RNM nas patologias intra-articulares, segundo James Glick(2)
L.A. LAGE & R.C. COSTA
558 Rev Bras Ortop _ Vol. 30, Nº 8 – Agosto, 1995
e Richard Villar(9); portanto, deveria fazer parte do arsenal de
todo cirurgião artroscopista e principalmente daquele especializado
em cirurgia do quadril. Nossa pequena experiência até
o momento tem sido muito gratificante, porém é importante
salientar que a artroscopia do quadril é procedimento muito
trabalhoso, complexo tecnicamente, que requer muita paciência
e treinamento prévio.

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